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Evangelho Meditado

Domingo, 24 de Janeiro de 2021

Tema: 3º Domingo do Tempo Comum

Jn 3,1-5.10: Os ninivitas afastavam-se do mau caminho.

Sl 24,4ab-5ab.6-7bc.8-9 (R. 4a.5a): Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, vossa verdade me oriente e me conduza!

1Cor 7,29-31: A figura deste mundo passa.

Mc 1,14-20: Convertei-vos e crede no Evangelho!

Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 'O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!' E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: 'Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens'. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

Comentário

Como já é sabido, nas leituras da liturgia dominical, a primeira e a terceira estão sempre ligadas tematicamente, enquanto a segunda costuma seguir caminhos independentes. Hoje, as duas leituras principais são a pregação de Jonas na cidade de Nínive e a pregação de Jesus no início de seu ministério, precisamente "quando João foi preso", isto é, quando o profeta veio a faltar.

A leitura sobre Jonas hoje apresenta um conteúdo positivo: o profeta atende ao mandato de Deus que o envia a pregar, ele vai, prega, e além do mais sua pregação obtém êxito, pois a cidade se arrepende.

O comentário mais simples a este texto pode seguir a linha da importância da pregação profética para a conversão daqueles que estão longe de Deus. É um tema conhecido. E, como dissemos, é paralela ao texto do Evangelho: Jesus é um novo profeta, que se conecta com a linha dos profetas clássicos, que também sai às ruas para pregar uma mensagem de conversão.

Para ouvintes mais críticos, esta segunda leitura é preocupante. Porque todo o conjunto daquilo que nela se expressa pertence a um quadro de compreensão hoje insustentável: um Deus acima, imaginado diretamente como um grande rei, que envia seu mensageiro para pregar uma mensagem de conversão, mensagem que antes não poderia ter efeito porque o profeta não queria ir pregar, mas agora é atendido e obedecido pelos ninivitas. “E Deus viu as suas obras, a sua conversão da má vida; teve compaixão e Deus se arrependeu da catástrofe com a qual havia ameaçado Nínive, e não a executou”. Esta imagem de um Deus lá em cima, que toma decisões, envia mensageiros, insiste com eles, comunica-se com os homens através destes mensageiros proféticos, e quem "vendo" as obras de penitência "se compadece e se arrepende da catástrofe com que havia ameaçado a cidade "... é obviamente humana, muito humana, demasiadamente humana, sem dúvida. É claramente um "antropomorfismo". Deus não é um Senhor que está "lá em cima, lá fora", ou que está mandando mensageiros, ou é alguém que pode ameaçar, ou que pode se arrepender ... Hoje sabemos que Deus não é assim, pois o que chamamos de “Deus” é de fato um mistério que não pode ser reduzido a uma imagem ou uma imaginação antropomórfica semelhante.

Seria bom, inclusive necessário, referir-se a esta qualidade de antropomorfismo que esta leitura tem - como tantas outras -, e fazer os ouvintes perceberem que não os consideramos crianças, mas que estamos simplesmente utilizando um texto composto há mais de vinte e cinco séculos, e que a imagem de Deus que nele aparece é inviável hoje. É importante dizer isso, e não é bom dá-lo por entendido, porque pode haver - com razão - pessoas que se sintam mal ao ouvir estas imagens, como se estivessem sendo tratadas na época da catequese infantil. E, claro, é aconselhável abordar - nesta ou outra ocasião - a questão das imagens de Deus, e esclarecer que se somos pessoas de hoje, é muito provável que a linguagem clássica (ou ancestral) sobre Deus não nos caiba bem, e que temos todo o direito de ser críticos e utilizar outra.

Este poderia ser, sem mais, o bom tema de reflexão central da homilia de hoje. É mais que suficientemente importante. Recomendamos o livro do bispo anglicano John Shelby SPONG, Un cristianismo nuevo para un mundo nuevo, coleção "Axial Time", Abya Yala, Quito 2011, axialtime.org).

A leitura da 1ª carta de Paulo aos Coríntios também pode ser iluminada hoje com a do Evangelho de Marcos: ante o reinado de Deus que foi estabelecido pela ação de Jesus - sua pregação, seus milagres, suas controvérsias, especialmente sua morte e ressurreição-, todas as realidades humanas adquirem um novo significado: comprar, vender, chorar, rir, casar ou permanecer celibatário, tudo é diferente e seu valor é distinto. O que é absolutamente definitivo é o exercício da vontade salvífica de Deus que Jesus veio pôr em ação. É por isso que Paulo pode afirmar que "acabou a apresentação deste mundo", isto é, que Deus faz novas todas as coisas realizando a utopia de seu Reino onde pobres e tristes, enfermos e condenados, excluídos e ofendidos da terra são resgatados e acolhidos, e onde os ricos e os poderosos são urgentemente chamados à conversão.

Depois de nos narrar os inícios do Evangelho com João Batista, com a unção messiânica de Jesus no rio Jordão e com suas tentações no deserto, Marcos nos conta, em frases muito condensadas, os primórdios da atividade pública de Jesus: é o humilde carpinteiro de Nazaré que agora viaja por sua região, a próspera, mas mal falada Galileia, pregando nas aldeias e cidades, nas encruzilhadas, nas sinagogas e nas praças. A sua voz chega a quem a quer ouvir, sem excluir ninguém, sem exigir nada em troca. Uma voz crua e vibrante como a dos profetas antigos. Marcos sintetiza todo o conteúdo da pregação de Jesus nestes dois momentos: começou o reino de Deus - é que se cumpriu o prazo da sua espera - e perante o reino de Deus só é possível converter-se, acolhê-lo, aceitá-lo com fé.

Os judeus que ouviram Jesus recordaram muitos reinados: o recente reinado de Herodes, o Grande, sanguinário e ambicioso; o reinado dos hasmoneus, descendentes dos libertadores macabeus, reis que simultaneamente exerceram o sumo sacerdócio e oprimiram o povo, tanto ou mais do que os ocupantes gregos, os selêucidas. Recordavam também os antigos reis de um passado remoto, transformados em figuras de lendas douradas, Davi e seu filho Salomão, e a longa lista de seus descendentes que por quase 500 anos exerceram um poder totalitário sobre o povo, quase sempre tirânico e explorador. De que rei Jesus estava falando agora? Do que foi anunciado pelos profetas e desejado pelos justos. Um rei divino que garantiria justiça e direito aos pobres e humildes e excluiria os violentos e os opressores de sua vista. Um rei universal que anularia as fronteiras entre os povos e traria todas as nações, mesmo as mais bárbaras e sanguinárias, à sua montanha sagrada para estabelecer no mundo uma era de paz e fraternidade, apenas comparável à era paradisíaca anterior ao pecado.

Este "reinado de Deus", anunciado por Jesus há 2.000 anos na Galileia, continua sendo a esperança de todos os pobres da terra. Esse reino que já existe desde que Jesus o proclamou, porque continua a ser anunciado pelos seus discípulos, aqueles que ele chamou no seu seguimento para confiar-lhes a tarefa de pescar nas redes do Reino aos seres humanos de boa vontade. É o Reino que a Igreja proclama e que todos os cristãos do mundo se esforçam por construir de mil maneiras, todas elas reflexo da vontade amorosa de Deus: curar os enfermos, dar pão aos famintos, saciar a sede dos sedentos, ensinando os que não sabem, perdoando os pecadores e acolhendo-os na mesa fraterna; denunciando, com palavras e atitudes, os violentos, os opressores e os injustos.

Cabe a nós, como Jonas, Paulo e o próprio Jesus, levar as bandeiras do reinado de Deus e anunciá-lo em nossos tempos e em nossas sociedades: a todos os que sofrem e a todos os que oprimem e devem se converter, para que a vontade amorosa de Deus se cumpra para todos os seres do universo.

Oração

Ó Deus, nosso Pai, Vós que tudo podeis, ajudai-nos a nos converter a Vós cada dia, para que possamos viver sempre uma vida segundo a vossa vontade e possamos dar frutos abundantes de Amor e Justiça. Vós que viveis e dais vida pelos séculos dos séculos. Amém.

Santo do Dia

S. Francisco de Sales

1567-1622 ? místico ? \"Francisco? quer dizer \"franco, livre? ? 
É o patrono dos escritores e jornalistas
 
Natural da França, Francisco de Sales sonhava com o sacerdócio, mas esperou pacientemente por 30 anos para ter a certeza de que essa era a vontade de Deus. Um dia, foi surpreendido pela própria espada, que, por três vezes, se desprende da bainha e se dispõe no chão em forma de cruz. Viu nesse evento um desígnio divino. Recém-ordenado, partiu para a Suíça com a ideia de lá converter os calvinistas. Por três anos andou errante, passou fome, sede, frio, humilhações e risco de vida; e tudo isso para não converter uma alma sequer. Mesmo assim não desanimou e, com paciência, escrevia e enfiava debaixo das portas trechos de sermões. Já bispo, conheceu, em 1604, em Dijon, França, Joana de Chantal. Com ela aprendeu o caminho da comunhão com Deus e resgatou o valor da mística para o povo cristão. Doravante, ser santo não será mais privilégio de religiosos, mas a vocação de todo cristão. Nesse sentido, dirige aos fiéis dois de seus mais famosos escritos: Tratado do amor de Deus e Introdução à vida devota. 

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