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Evangelho Meditado

Domingo, 25 de Junho de 2017

Tema: 12◦ Domingo do Tempo Comum

Jr 20,10-13: Ele salvou das mãos dos malvados a vida do pobre

Sl 68: Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor

Rm 5,12-15: O dom ultrapassou o delito

Mt 10,26-33: Não temais aqueles que matam o corpo

26 Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber. 27 O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados. 28 Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena. 29 Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. 30 Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. 31 Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós. 32 Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. 33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.

Comentário

Não há mentira que, cedo ou tarde, não seja descoberta. Em julho de 2014, após 38 anos de impunidade, num julgamento sem precedentes, foram condenados à prisão perpétua os autores do assassinato de Dom Enrique Angelelli, bispo mártir de La Rioja, Argentina. Dias antes o prelado havia dito a seus colaboradores que queriam mandá-lo fora do país: "Tenho medo… mas não se pode esconder o evangelho debaixo da cama". Sua morte foi apresentada pela imprensa local como um acidente e como tal foi tratada por muito tempo, inclusive por seus irmãos no episcopado. Como tantas outras testemunhas de Jesus, Angelelli preferiu a verdade nua e crua do evangelho à incômoda segurança dos covardes.

O evangelho conservou alguns ditos ou refrãos com os quais Jesus exortava a comunidade dos discípulos a não deixar-se intimidar pelas adversidades. Os discípulos, com freqüência, viam a ameaça evidente representada pelos grupos armados, mas eram incapazes de descobrir o perigo escondido em muitas pessoas e instituições que alienavam e submetiam ideologicamente as pessoas.

As comunidades cristãs primitivas tiveram que enfrentar a mesma ameaça, que provinha dos 'agentes armados' em conflito. De uma parte, as autoridades romanas com um contingente enorme de força militar e policial. De outra parte, os fanáticos rebeldes dispostos a eliminar quem não estivesse de acordo com eles. No meio desse 'fogo cruzado' estava a comunidade cristã com uma proposta alternativa de paz e justiça que não coincidia com nenhum dos dois grupos. Para os romanos, a justiça era, quase sempre, a aplicação universal dos princípios que sustentavam a legislação romana. A submissão às duras condições da 'paz romana' obrigava as populações das colônias a pagar pesados tributos, a incorporar-se na própria religião o culto aos deuses imperiais e a destinar grandes massas da população à escravidão e ao serviço militar obrigatório. A comunidade cristã lutava por conseguir um espaço para sua proposta na sociedade: eles queriam uma comunidade humana na qual fosse possível a solidariedade, o respeito pelo outro, a distribuição equitativa dos recursos. Entretanto, nesta luta estavam praticamente sozinhos. Os grupos rebeldes que se apresentavam como a grande alternativa contra o império eram guiados pela lógica da violência descontrolada, pela submissão dos dissidentes e pela imposição da ideologia do grupo. Estes grupos fanáticos viam os cristãos como uma ameaça para a identidade do grupo, e, por isso, freqüentemente os convertiam em alvo de perseguições e em 'bode expiatório' para neles descarregar toda a sua frustração, prepotência e intolerância.

Jesus, porém, advertia toda a comunidade contra a crença de que a única ameaça estava representada pelas armas de metal, pedra e madeira. A ameaça mais grave provinha, com freqüência, das ideologias representadas por estes grupos. Tanto a ideologia de legitimação do império romano como os ideais de vingança dos fanáticos rebeldes escondiam todo o seu veneno. Cada grupo se apresentava como um defensor da justiça, da paz e da liberdade, mas evidentemente os fatos contradiziam seus grandiloqüentes discursos. Cada grupo perseguia seus interesses particulares ignorando os mínimos princípios éticos. O dilema para os cristãos era o de alinhar-se num ou noutro grupo, crendo que assim se alcançariam os ideais de justiça, paz e liberdade que Jesus de Nazaré havia proposto com seu ideal do Reino de Deus. 

Este mesmo problema é enfrentado por Paulo a partir do ponto de vista da justificação pela lei. As comunidades cristãs estavam deslumbradas pela crença de que o cumprimento estrito dos preceitos religiosos conduzia inevitavelmente à salvação do indivíduo. Paulo, no entanto, denuncia esta falsa crença ao afirmar que o mero cumprimento da letra da lei não conduz à justiça. A execução dos deveres do culto, como as oferendas, os banhos rituais, os sacrifícios, as peregrinações... não garantiam uma autêntica experiência de Deus. A reunião de grandes massas nos templos ou nas sinagogas não são sem mais expressão de um autêntico encontro com o irmão. Os favores intercambiados entre parentes, colegas, conterrâneos ou correligionários não constituem genuína solidariedade. Paulo denuncia precisamente a incapacidade dos mecanismos habituais da religião para brindar à comunidade humana uma autêntica experiência de fraternidade, esperança e comunhão.

Paulo convida a comunidade a não deixar-se enganar pelas artimanhas do legalismo, do ritualismo e da religião de massas. A justiça que nos une ao Deus da vida é um dom para toda a comunidade. A verdadeira religião é aquela que nos conduz do humano para Deus, através da compaixão, misericórdia e solidariedade.

O cristão que se comprometeu com a causa do Reino pode, então, fazer suas as palavras do profeta Jeremias e clamar: "Em vossas mãos, Senhor, depositei a minha causa". Mas não como expressão supérflua de triunfalismo religioso nem como pura exaltação individualista dos bens recebidos, e sim como expressão da única justiça possível: a vida plena do pobre. Porque a vida plena é manifestação patente de que a lógica da morte não prevaleceu. Se o pobre vive, vive por graça de Deus e por causa da opção radical das comunidades humanas que não se deixam levar pela lógica legalizada da barbárie. Por isso o profeta nos convida a louvar o Senhor, porque Ele salvou a vida do pobre. 

Tanto a violência, o afã de vingança, o imperialismo como o ritualismo, o legalismo e a alienação são armas ideológicas ocultas que conduzem imperceptivelmente a pequena comunidade para a morte. Estes são os inimigos que podem matar não somente o corpo, mas também a alma e levar o povo às incontroláveis chamas do fanatismo. Se uma comunidade não vai a fundo no conhecimento da palavra de Jesus, se não descobre os perigos ocultos no interior dela mesma, se não é radical em sua opção pela vida, é bem provável que termine acreditando que a paz é a ausência de guerra e que a justiça é um assunto individual, negando assim a graça e a justiça como bem maior.

Oração

Senhor, nós te pedimos que caminhes sempre ao nosso lado para nunca cedermos diante das dificuldades e revezes da vida e sintamos sempre tua força nos animando e assim prossigamos cada dia trabalhando com entusiasmo e alegria para construirmos teu Reino. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Santo do Dia

S. Máximo de Turim

? 423 ? \"Máximo? significa \"aquele que é o maior?

Máximo viveu no século IV, no Piemonte, Itália e morreu em 423. É tido como o fundador da diocese de Turim. Deixou escrito numerosos Sermões e Homilias. É representado ao lado de uma cabra, pois, segundo a tradição, o Santo recolhia-se a um lugar solitário para rezar. Seus adversários ficaram deveras curiosos para saber o que o Santo andava fazendo e enviaram alguém para espioná-lo. Acometido de sede mortal e já sem forças, o espião deparou com o Santo puxando uma cabra. Com o leite do animal, pôde matar a sede.

Calendário - Serviço Bíblico