Missionários
Claretianos Brasil

Dia da Fundação da Congregação: Mensagem do Padre Geral

MENSAGEM PARA O DIA DA FUNDAÇÃO

16 DE JULHO DE 2020 

 

Celebramos o dia da Fundação em meio à pandemia viral que se encontra talvez numa segunda etapa, marcada por uma grande melhoria nos países da Europa que foram muito afetados pelo vírus durante a fase inicial, e pelo crescente contágio em outros continentes com menores taxas de mortalidade. Agora temos mais missionários claretianos infectados pelo vírus que antes. Isto exige uma maneira responsável e prudente de levar a cabo nossa vida e missão. Nesta oportunidade em que celebramos os 171 anos da fundação de nossa Congregação, convido-vos a refletir sobre o tema da responsabilidade que como indivíduos e como comunidade carismática devemos assumir em nossa vocação e missão na Igreja. 

A celebração deste ano coincide também com o 150° aniversário da morte de nosso Fundador, enquanto contemplamos a beleza de sua vida e aprendemos a arte da colaboração responsável que ele realizou com o projeto de Deus de evangelização, sintonizando com Ele sua vida e suas atividades apostólicas. Auxiliado pela graça e guiado pelos sinais que recebeu do Senhor, abandonou o projeto da empresa têxtil, para entrar no seminário ainda jovem. Como sacerdote, deixou a segurança de uma paróquia para abraçar a insegurança própria de um pregador itinerante. Passo a passo, escolheu abandonar o que era mais seguro e cômodo para aceitar o que o Senhor lhe pedia. Sua capacidade de resposta é evidente na maneira como viveu a confiança que nele Deus tinha

colocado quando foi chamado a ser um missionário apostólico. De fato, Santo Antônio Maria Claret respondeu ao chamado de Deus com as melhores de suas capacidades. 

Assumir a responsabilidade da própria vocação e missão em resposta ao chamado de Deus não é um caminho pelo tapete vermelho. Implica levar a cruz e seguir o Senhor, enfrentar momentos de incompreensão, ridículo ou perseguição, e permanecer fiel mesmo quando outros desistirem. Sabemos como nosso Fundador continuou sua missão e permaneceu fiel à sua vocação missionária em meio às perseguições, atentados contra sua vida, calúnias e de uma difamação pública de sua pessoa que o perseguiu até o exílio na França. Acredito que nosso Fundador pôde suportar estas provações porque se apoiou nas mãos de Deus como uma criança e foi em frente ao lado de seu amado Senhor e de sua Mãe celestial. 

A responsabilidade implica um relacionamento com uma autoridade superior diante da qual se responde e se presta contas sobre as obrigações próprias da vocação e missão designada. Um discípulo não é um empregado contratado. É um filho, não é um escravo. Portanto, um discípulo ou um filho deve honrar sua identidade atuando responsavelmente como um discípulo ou um filho. Nossa identidade carismática como filho do Coração de Maria afeta a maneira como assumimos a responsabilidade de nossa vocação e missão. Quanto mais clara seja nossa identidade missionária na Igreja, mais responsavelmente cumpriremos nossa missão na Igreja. 

A responsabilidade se entende melhor em relação com as atividades e comportamentos irresponsáveis nos relacionamentos mútuos, na administração econômica, no exercício da autoridade e na liderança, no trabalho em equipe, na missão e na vida espiritual. Elas causam um dano tremendo a si mesmo e aos demais. Os aliados da irresponsabilidade culpam os outros por suas próprias decisões, pela justificação e racionalização das ações irresponsáveis. O antídoto para a irresponsabilidade é criar uma cultura da responsabilidade e da transparência ante Deus, a própria consciência e a comunidade. Sabemos que nosso Fundador não só foi muito compassivo, mas também exigente consigo mesmo e com os demais quanto ao cumprimento dos deveres e obrigações. 

A história de um povo que presta homenagem ao rei, oferece uma lição interessante. O tributo devia ser pago em espécie. Após uma boa colheita, cada agricultor a considerava para si próprio. “Depois de tudo, um pouco de palha não fará diferença ao grande

agricultor real”. Todos caíram na tentação de misturar o grão com um pouco de palha para obter a quantidade necessária, para que pudessem ter mais grãos para eles. Quando o rei finalmente abriu o celeiro, havia mais palha que grãos para as necessidades do reino. Os dons que cada um de nós se nega a colocar à disposição dos demais nos empobrecem como Congregação missionária.  

A vida e a missão de nossa Congregação são uma responsabilidade coletiva que cada um de nós deve assumir de acordo com seus papéis, funções e dons. Convido-vos a dedicar um tempo e vos perguntar como vos responsabilizais por viver as exigências de vossa vocação, e da fraternidade e da dedicação missionária de vossa comunidade. Como contribuímos para a mediocridade que hoje, muitas vezes, lamentamos na vida consagrada, e como estamos dispostos a contribuir para que nossa Congregação seja um testemunho credível da alegria do Evangelho? Nossa Congregação refunda-se na vida de cada missionário claretiano e na missão de cada comunidade. A melhor homenagem jubilar que podemos oferecer a nosso Fundador é assumir a responsabilidade de nossa vocação e missão, e contribuir generosamente para enriquecer o Povo de Deus com nossa herança carismática. Neste tempo de pandemia viral, celebremos o dia da Fundação de nossa Congregação com simplicidade e profundidade, impregnando-nos do espírito de Santo Antônio Maria Claret que entregou sua vida com alegria pela causa do Evangelho. 

Desejo-vos uma celebração significativa do Dia da Fundação, 16 de julho. 

Pe. Mathew Vattamattam CMF

Superior Geral

 

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